Quinta, 08 Agosto 2019 20:15

Esporte ‘raiz’: eis uma das essências dos Jogos Escolares Destaque

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Carlos Henrique (nº 11), Escola Darcy Ribeiro, de Balneário Gaivota: atrofia nas pernas não diminuiu a vontade de jogar voleibol Carlos Henrique (nº 11), Escola Darcy Ribeiro, de Balneário Gaivota: atrofia nas pernas não diminuiu a vontade de jogar voleibol Foto: Antonio Prado/Fesporte

Promovidos pelo Governo do Estado (@governosc), por meio da Fesporte, em parceria com a prefeitura de Curitibanos, uma competição como os Jogos Escolares de Santa Catarina (Jesc), que ocorrem desde o dia 3 de agosto em Curitibanos, tem espaço para todos os níveis de atletas de 12 a 14 anos. 

Há desde simples desconhecidos, como Pedro Paulo Kohler, de 14 anos, estudante do oitavo ano da Escola Municipal Georgina Ramos Carvalho Luz, de Brusque, que foi ouro no salto em distância, atuando com os pés descalços, a atletas experientes com apenas 11 anos como é o caso da campeã de badminton Letícia Pinto Andres, do Colégio Conexão, de Joaçaba, com participações em campeonatos sul-americanos.

No voleibol masculino, por exemplo, essa regra também vale. Há times como a Escola Barão do Rio Branco, de Blumenau, favorita ao título, por já estar bem estruturada e comandada pelo experiente técnico China, e outros times inexperientes, que foram arregimentados em aulas de educação física por professores e que vêm pela primeira vez aos Jesc. É o caso da Escola Estadual São João, de Agrolândia, que nesta manhã de quinta-feira, dia 8, perdeu dois dos seus três jogos da primeira fase e foi desclassificada. A derrota da vez foi para Escola Estadual Darcy Ribeiro, de Balneário Gaivota, por 2 a 0, com parciais de 25/9 e 25/16.

Escola São João, de Agrolândia, em ação nos Jesc: experiência marcante para o resto da vida (Foto: Antonio Prado/Fesporte)

Erros de passe, dois toques, erros de saque e bloqueio, de posicionamento, tentativas de chutes em vez do uso das mãos. Essas ações são comuns a times compostos por pessoas ainda em início da prática do voleibol. E isso pôde ser visto no confronto entre as escolas São João e Darcy Ribeiro. Os estudantes, por sua vez, estavam felizes. 

Felizes por poderem participar de uma etapa estadual de um evento já consagrado como os Jesc. “Meu time fez apenas um treinamento para estar aqui. Escolhi os alunos na aula de educação física. Eles nunca tinham viajado para uma competição fora. É a primeira vez que dormem em alojamento e ficam longe dos pais. Com duas derrotas e uma vitória eles estão maravilhados. É uma experiência positiva que levarão por resto de suas vidas”, atesta o treinador da Escola Estadual São João, de Agrolândia , professor Leo Itamar Lima.

Do lado da Escola Darcy Ribeiro, de Balneário Gaivota, cuja equipe também joga na região handebol e basquete, a situação é mais tranquila diante da classificação em segundo lugar às quartas de final (duas vitórias e uma derrota), mas similar à realidade dos estudantes de Agrolândia no quesito técnica de voleibol e experiência de Jesc.

Escola Estadual Darcy Ribeiro, de Balneário Gaviota: classificada às quartas de final (Foto: Antonio Prado/Fesporte)

E um atleta que simboliza isso é o levantador Carlos Henrique Alves, de 13 anos, que tem atrofia nas duas pernas, fruto de complicações no parto. Durante o jogo, nesta quinta-feira contra os alunos de Agrolândia, mesmo com dificuldades de locomoção, fez pelo menos cinco pontos de saques.

“Por conta da minha atrofia só fui andar com dois anos de idade e, após muita fisioterapia, comecei a praticar voleibol aos seis anos com os meus pais. E o voleibol ajudou muito minha forma de andar”, disse o garoto, que é filho do treinador Luiz Carlos Ferreira. Para o pai, ver o filho atuar nos Jesc é uma vitória e essa condição, segundo ele, motiva outros estudantes a praticar esporte. Luiz é auxiliado pelo professor Diego Marcelo.

Escola Estadual São João, de Agrolândia feliz em poder participar dos Jesc (Foto: Antonio Prado)

Enfim, quem assistiu aos estudantes de Agrolândia e Balneário Gaivota jogando voleibol ‘raiz’ e encerrando suas participações na primeira fase dos Jesc, nesta quinta, em Curitibanos, pôde observar o esporte na sua essência. Mais que acertar, ganhar ou perder, o que vale mesmo é a participação. Vivenciar a experiência. Sentir a adrenalina. Misturar o sentimento de alegria e frustração. Conviver com o alojamento, com o ônibus, ouvir piadas, brincar, conhecer novos lugares e fazer novos amigos. Esse é o mundo Jesc. Mundo que eles jamais esquecerão. Que um dia falarão para os filhos e netos: “Eu participei de uma etapa estadual dos Jesc”. O resto é história.  

Texto: Antonio Prado/Ascom Fesporte

 

Lido 1699 vezes Última modificação em Quinta, 08 Agosto 2019 22:20

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