Heron Queiroz

Segundo domingo do mês de agosto, dia 9, é um dia especial, porque é quando homenageamos uma das figuras mais importantes na vida de cada um: o pai. Seja ele um pai biológico, seja padrasto, seja ainda aquele avô, tio ou um amigo mais velho a quem consideramos pai. Ele é muitas vezes o equilíbrio entre os extremos. É aquele que cobra, que dá bronca, que exige; mas é também aquele que abraça, que ama (muitas vezes sem saber dizer) e que se orgulha tanto a ponto de fazer rolar aquela lágrima de emoção que ele sempre escondia.

Dizem que a maioria dos técnicos é como pai. Briga, exige, coloca no banco, manda de novo para o jogo, esbraveja, gesticula; mas também motiva, vibra, torce e corre para o abraço quando a vitória chega ou faz erguer a cabeça quando ela não vem.

Mas imagine quando o técnico é o próprio pai, a exemplo de Bernardinho, pai do Bruninho do vôlei; Charles Medina, padrasto de Gabriel Medina; ou mesmo Larri Passos, a quem Gustavo Kuerten nunca escondeu considerar um pai. A verdade é que no mundo dos esportes, esses não são casos isolados. Há muito atleta que vira técnico e inevitavelmente acaba treinando o próprio filho, quando este resolve seguir os passos do pai.

 

Dividindo com o filho as emoções das quadras 

Um exemplo disso é o técnico João Altamiro de Moraes Lopes, mais conhecido como Pingo, pai do Rafael Castagna Lopes. Pingo jogou basquetebol pelo Diocesano de Lages e foi campeão estadual em 1978. A carreira de jogador, que iniciou em 1972, durou 10 anos. Já a de técnico começou em 2012 em Lages, pela Apabla (Associação de Pais e Amigos do Basquete de Lages). E, nesse novo projeto, não ficaria de fora o filho Rafael, que já se espelhava no irmão mais velho, Renan, que já jogava, mas não seguiu com a modalidade. Juntos, Pingo e Rafael conquistaram títulos regionais na Olesc e nos Joguinhos Abertos.

Rafael, do basquete de Lages, com o pai e técnico, Pingo                                                        Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Pingo destaca a experiência de dividir com o filho os momentos no esporte e a emoção que acontece dobrada com o filho em quadra, mas defende que questões do esporte não possam ter muitas interferências no lar. “Às vezes, a gente acaba trazendo essas coisas pra casa, mas sempre procurei separar bem quadra e família”, disse ele. Apesar disso, destaca que há prazer em ter uma parte da família no trabalho, mas nem por isso poupa o filho das broncas. “A bronca nele era mais forte. Por ser filho, você tem mais liberdade, mas ele também entendia isso”, completou o técnico.

 

Uma família na mesa

E o que dizer de uma família inteira numa modalidade. No tênis de mesa, a família Nakashima tem levado muitos troféus e medalhas para o Norte do estado. Celso Toshimi Nakashima é pai e técnico de Alexia (21) e Enzo (19), além de Steffi (23), que já não atua mais na modalidade, e esposo da também mesatenista Alice. Natural de Cambé, no Paraná, Toshimi começou a praticar tênis de mesa em 1975, em Curitiba. Em 1981, começou a participar dos Jasc, por Porto União, depois por Capinzal, e, a partir de 1986, por Joinville, onde está estabelecido. Começou a atuar como técnico em 1983, no Paraná. No ano seguinte, já exercia a função em Capinzal. Ele já perdeu as contas de tantos títulos no estado como atleta e como técnico. Além disso, foram 22 títulos do Brasileiro Intercolonial e o orgulho de ter participado de três Paralimpíadas como técnico e conquistado prata nos jogos paraolímpicos de Beijing 2008.

Família Nakashima tem levado muitos troféus e medalhas para o Norte do estado                                                                         Foto: Divulgação/Arquivo pessoal 

Alexia e Enzo colecionam dezenas de títulos que vão das competições da Fesporte, como Joguinhos Abertos e Olesc, a brasileiros, sul-americanos e pan-americanos. “Ser pai e técnico ao mesmo tempo é o máximo que poderia ter acontecido na minha carreira, porque no fundo talvez você espere poder um dia dirigir um filho. Pra mim é um privilégio, emoção, orgulho; acho que tudo que tem de bom eu sinto quando estou com eles. Às Vezes, estou também como jogador, com eles, na mesma equipe”. 

Ele ainda fala da aflição e sofrimento mais forte quando os filhos vão jogar fora e ele não acompanha como técnico e da vantagem que tem em ser técnico dos próprios filhos. “Em função de vivermos o dia a dia, desde criança, a gente sabe de todos os momentos em que eles estão em dificuldade, no sentido psicológico ou emocional. Como pai, é mais fácil perceber isso no atleta. Toshimi define como gratidão ver os filhos atuando na mesma modalidade que ele, e atribui ao trabalho desenvolvido desde a escolinha e aos professores que se envolveram.

 

Ajudando a filha a realizar um sonho

Clodomir Cordeiro, o Chico, 47 anos, é treinador de handebol em Videira, desde 2018 e comanda sua filha Thereza Devenzi, 13 anos, nas competições da Fesporte. Para ele ser pai e técnico ao mesmo tempo é a realização de dois sonhos em um. Ele admite que estar nesta condição faz com que o sofrimento seja maior durante as competições. “O mais difícil é estar no torneio e não ser apenas pai. Isso aumenta o sofrimento, mas há o lado positivo, pois como pai e técnico você consegue fazer as cobranças (para a filha) de forma integral antes durante e depois dos treinos, mesmo sabendo que às vezes passamos do ponto nas cobranças por ser minha filha”.

O técnico Chico e a filha Thereza                                                                                                                                                    Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Segundo Chico o lado gratificante é ver de perto a evolução técnica da filha no handebol, por meio do comprometimento nos treinamentos. “Isso faz que eu sinta um orgulho, já que eu estou ajudando a minha filha a realizar um sonho, a ser vencedora dentro e fora das quadras”, admite o treinador. 

Como atleta Chico tem na carreira um vice-campeonato dos Joguinhos Abertos de Santa Catarina, terceiro lugar no campeonato estadual juvenil, alguns títulos regionais nos Joguinhos e como treinador de equipe feminina um terceiro lugar nos Jasc. Já a filha Maria Thereza tem no currículo o título de campeã sub-12 da Liga Catarinense de handebol. Além de Maria, Chico é pai de João Pedro, que aos três anos já brinca no futsal.

 

Das angústias de pai às alegrias de técnico

No caratê de Chapecó, Antônio e Marco também fazem uma forte dupla de pai e filho. Antônio Marcio Rodrigues dos Anjos (43), o pai, faixa preta (quarto dan), foi campeão brasileiro em 2007 e 2012, campeão brasileiro universitário pela CBDU em 2012 e campeão pan-americano em 2013. Formado em Educação Física e História, dos Anjos iniciou a carreira como carateca em 1993, e em 2005, já atuava também como técnico, função que desempenha atualmente no Município de Chapecó e nas seleções catarinense e brasileira. Como técnico, obteve títulos em todas competições da modalidade nos eventos da Fesporte, muitos deles dirigindo o filho Marco Antônio  dos Anjos, contando ainda com dois mundiais infantis por equipe, um título sul-americano (2019) e dois pan-americanos (2018 e 2019). Aos 20 anos, Marco, que iniciou no caratê aos seis, coleciona conquistas estaduais, nacionais e internacionais. Atualmente, na sua categoria, é o segundo do ranking mundial sub-21 da WKF, o primeiro do ranking nacional sub-21 e segundo no sênior.

 

Antônio é técnico de Chapecó e das seleções catarinense e brasileira Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal

“Ser técnico é uma tarefa difícil, mas muito gratificante, pois há um ganho do ponto de vista das emoções, que vêm em dobro”, disse Antônio. Ele defende que, em casa, é possível também ser técnico e que treinar o filho dá uma vantagem sobre outros técnicos, porque a intimidade e a proximidade favorecem, segundo ele. “Eu e meu filho conseguimos nos comunicar até por gestos”. Por outro lado, alerta que problemas de treinos não devem entrar em casa. “Para mim é uma grande felicidade ver meu filho se destacando na modalidade que eu ensinei. Ser técnico e pai é algo especial, pois você vive as angústias de pai e as alegrias de técnico”. E quanto às broncas no filho atleta, ele diz que se tornam mais assertivas, embora não menos duras, à medida que a carreira do atleta vai se solidificando.

 

Alegria na vitória e incentivo na derrota

Outro caso é o da família D’Ávila, do caratê por Joinville. Célio é pai dos caratecas Vitor (23 anos) e Miguel (7). Ele começou com atleta em 1989, em Joinville. Em 1993, já atuava como técnico. Desde 2009, tem sido técnico da modalidade nos Joguinhos Abertos, conquistando, até o momento 10 títulos, sendo nove por Joinville e um por Brusque. A família toda aderiu à modalidade. Além dos filhos Vitor e Miguel, a esposa Valdirene também pratica caratê e recebe treinos de Célio.

Família de caratecas sob o comando de Célio D'Ávila

Célio D’Ávila destaca que o fato de conhecer a rotina do filho facilita mais na preparação física e técnica e que, para o filho, é também importante porque ele tem maior confiança. “O mais difícil é ser técnico e ficar em casa e não poder estar lá, ajudar para ele conseguir a vitória”, relatou abordando as ocasiões em que não está atuando como técnico do filho. “É uma mistura de orgulho, realização profissional, ter meu filho atuando comigo, e hoje como técnico, seguindo os passos do pai”, referindo-se ao mais velho, Vitor. 

D’Ávila ainda ressalta que ser técnico do filho é ter sentimento em dobro, mas que nas vitórias a alegria é compartilhada, vivenciada com o filho atleta, e na derrota, apoiar e incentivar.

 

Uma adrenalina a mais

Técnico de caratê de Blumenau, Veroni Pereira, 59 anos, treina três filhos na modalidade: Juliano Douglas, 37 anos, faixa preta 2º dan; Josiane Carla, 34, faixa preta (1º dan) e Marco Antônio, 18,  faixa preta (1º dan). Veroni começou a praticar o caratê em 1983, inicialmente buscando métodos de defesa pessoal. Entre os anos de 1992 e 1995, Veroni atuou diretamente como atleta e, em 1996, fundou sua própria equipe: a Associação Vasto Verde de Karatê, mesmo ano que assumiu como técnico a seleção blumenauense de caratê da Secretaria Municipal de Esportes.

Veroni exibe troféu conquistado nos Jasc 2018                                                                                            Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Ao longo dos anos, já perdeu a conta de quantos títulos levantou nas competições da Fesporte treinando os filhos. O que ele não esquece, no entanto, é o significador de ser pai e atleta ao mesmo tempo. “Ser pai é uma tarefa muito difícil e ser técnico do seu próprio filho significa uma responsabilidade maior ainda. A estratégia de luta é diferente dos demais atletas de sua equipe, a adrenalina é diferente e tem que ter cuidado para não atrapalhar. Com a derrota a tristeza é em dobro, mas com a vitória a alegria é tripla”.

 

Coisas de proteção de pai

Além da relação entre pais técnicos e filhos atletas, no mundo esportivo também não é raro que filhos sigam o mesmo caminho do pai na arbitragem.

“Vê-lo fazendo minha função não tem preço”. As palavras brotam da boca de um orgulhoso Deraldo Oppa, presidente da Federação Catarinense de Atletismo, ao descrever a emoção de estar lado a lado com seu filho, Gabriel Oppa, como árbitro, mas principalmente como locutor oficial do atletismo nas competições da Fesporte. Deraldo é um dos principais dirigentes e árbitros do Brasil. E tal condição foi crucial para ser o escolhido como o locutor oficial, em língua portuguesa, do atletismo das Olimpíadas 2016 no Rio.      

Nas competições, Deraldo Oppa admite que fica tenso ao acompanhar o trabalho do filho, mas não deixa que isso atrapalhe a relação profissional entre ambos. “Dentro da competição sou pai e hierarquicamente superior, já que coordeno a modalidade, mas procuro tratá-lo em condições de igualdade, com profissionalismo assim como aos demais árbitros”, esclarece.

Gabriel ao lado do pai, Deraldo Oppa, nas olimpíadas do Rio 2006                                                                                               Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Oppa informa que o filho largou a faculdade de Direito para entrar de vez no mundo do esporte ao ir como voluntário para as Olimpíadas do Rio, em 2016. Depois dele participar da olimpíada, no atletismo, ele disse: “Pai me encontrei. Vou largar o Direito e fazer Educação Física. E assim fez e nós o apoiamos”. Oppa lembra que o momento mais marcante foi quando os dois trabalham na Rio 2016 no dia dos pais.

Por fim sentencia: “Trabalhar com meu filho é muito gratificante, gostoso. Quando ele erra, procuro conversar, mostrar onde pode melhorar, às vezes de coração partido, doendo, porque eu não gosto de ver meu filho errar, enfim, coisas de proteção de pai”.

 

Técnicos, árbitros ou ainda atletas, um pai pode ter muitas funções, mas o que importa mesmo é a felicidade e a emoção de buscarem os mesmos objetivos e trilharem juntos o caminho da glória e da realização de sonhos; é poder contar com o pai de cada dia; é ter ao seu lado esse herói sem capa, mas com superpoderes que fazem os momentos serem ainda mais intensos; esse herói que tem como armas a voz e os gestos para sacudir o moral; a vibração para elevá-lo ao melhor de si; os abraços, beijos e todo tipo de carinho para estimulá-lo a ir além do que ele mesmo foi; e o amor, porque senão, não seria pai.

Texto: Heron Queiroz e Antonio Prado/Ascom/Fesporte

 

Natural de Pinhalzinho, no Oeste catarinense, Patrícia Dawes Maldaner, ou simplesmente Pati, estará na Granja Comary, em Teresópolis (RJ), onde acontecerão os treinos da seleção brasileira feminina de futebol sub-17, de 12 de agosto a 9 de setembro. A notícia chegou na sexta-feira (31), mas já não é novidade. Esta é a sexta convocação de Patricia, que vem fazendo parte da lista das 26 convocadas para a categoria desde outubro de 2019. 

Em fevereiro, as brasileiras participaram de um torneio triangular em Portimão, Algarve (Portugal), envolvendo também a seleção da casa e a da Áustria. Numa competição equilibrada as brasileiras voltaram com o título definido no saldo de gols. Antes disso, em janeiro, Pati também vestiu a “amarelinha” num amistoso contra a equipe sub-20 do Peru, na Granja Comary. As brasileirinhas sub-17 não deram chances e venceram por 6 a 0.

 

Patrícia usou a "amarelinha" na vitoria de 6 a 0 sobre o sub-20 do Peru, em janeiro deste ano                                                                                Foto: Adriano Fontes/CBF

Na ocasião da realização dos Jogos Escolares de 12 a 14 anos, em agosto 2019, em que Pati teve a experiência de atuar como auxiliar técnica, em entrevista à Ascom/Fesporte, ela contou que sonhava com a convocação para a seleção sub-17. Mais que um sonho, era, talvez, uma premonição do que aconteceria dois meses depois.

Patrícia falou sobre a convocação com exclusividade para a Ascom/Fesporte: “É sempre uma alegria e uma honra enorme fazer parte da seleção, mas também uma responsabilidade muito grande que eu carrego por trás de tudo isso em nome do clube, da Chapecoense, e também do estado de Santa Catarina”, disse ela 

Desde que surgiu no futebol e no futsal dos eventos de base da Fesporte, Pati tem-se destacado. Aos 17 anos, a zagueira já coleciona importantes títulos de categorias de base de futsal e futebol, pelo Colégio José Marcolino Eckert, de Pinhalzinho, e pela Escola Lourdes Lago, de Chapecó.

O talento da bela ruiva ajudou sua escola a obter os principais títulos em 2015, em âmbito estadual, nacional e internacional. Pati foi uma das que comandou a equipe à conquista de cinco troféus naquele ano, o dos Jesc 12-14, do Catarinense de Futsal Feminino Sub13, do Moleque Bom de Bola, dos Jogos Escolares da Juventude (em Fortaleza), e dos Jogos Escolares Sul-Americanos da Juventude (no Paraguai). 

Ainda pelo Colégio José Marcolino Eckert, conquistou em 2016 o título do futsal no estadual da Olimpíada Estudantil Catarinense (Olesc) e o Estadual de Futsal Feminino Sub-15. Em 2018, Pati passou a integrar o projeto de futebol em parceria com a Associação Desportiva Lourdes Lago e a Associação Chapecoense de Futebol (Adell/Chapecoense), obtendo o título do futebol nos Joguinhos Abertos daquele ano, além dos campeonatos catarinenses sub15 e sub17. Em 2019, veio a conquista do Brasileiro Feminino Sub-18 e a terceira colocação no Campeonato Mundial Escolar de Futebol Feminino, na Sérvia, em abril. 

Polivalente, Patricia já atuou em diversas posições, que vão de goleira a atacante, mas tem se firmado cada vez mais na zaga e se preparando para o Sul-Americano Sub-17, que acontece de 30 de novembro a 19 de dezembro, no Uruguai.

Embora já tenha 17 anos, Patricia poderá integrar o selecionado brasileiro para a Copa do Mundo, que acontece na Índia. É que, em função da pandemia de covid-19, o mundial, que aconteceria neste ano, foi transferido para 2021 (de 17 de fevereiro a 7 de março), porém mantendo o direito de convocação de quem completou a idade limite em 2020. E, se depender da craque, ela estará lá, buscando mais um título, numa carreira que está, praticamente, só começando.

Texto: Heron Queiroz/Ascom/Fesporte

 

O Estado investiu mais de R$ 2,7 milhões em projetos esportivos propostos por municípios catarinenses em 2020. Os investimentos, operacionalizados pela Fesporte, foram feitos com recursos descentralizados da fonte do Fundo Social do Governo do Estado.

Os primeiros repasses de convênios firmados aconteceram em abril de 2020. Desde então, foram 14 projetos que contemplaram municípios de pequeno a grande porte, visando a melhorias de estrutura em instalações esportivas, aquisição de veículos e de equipamentos para prática de esportes e atividades físicas, entre outros.

Confira aqui os detalhes dos 14 repasses

 

“Mesmo com boa parte deste período de pandemia sendo cumprida com trabalho remoto, a Fesporte tem cumprido com todas as ações e obrigações que lhe cabe, atendendo a todas as demandas administrativas, dentre elas a conclusão dos convênios, que certamente oportunizarão os municípios a desenvolver ainda mais seus projetos esportivos”, disse o presidente da Fesporte, Rui Godinho da Mota.

Outros projetos estão tramitando e aguardando a conclusão para repasse ainda este ano. A quantidade de convênios e os valores deverão ser brevemente divulgados pela Diretoria de Administração (Dide) da Fesporte.

Texto: Heron Queiroz/Ascom/Fesporte

Conheça a história do programa esportivo cuja criação já levantava polêmica. A Olesc surgiu para cobrir a lacuna deixada pelos Jogos Escolares e resistiu quando estes voltaram ao calendário da Fesporte. Com um cancelamento em 2009 devido à gripe A, a comunidade esportiva pressionou e impediu o segundo cancelamento em 2015, devido a greve na educação. A pressão pesou ainda em alguns rumores sobre a extinção do evento, que se solidificou como uma das mais importantes competições poliesportivas de Santa Catarina.

A ideia da criação da Olimpíada Estudantil Catarinense (Olesc) surgiu depois que os Jogos Escolares de Santa Catarina (Jesc) passaram a ser geridos pelo departamento de Educação Física da Secretaria de Estado da Educação. Preocupados com a lacuna que isso abriria no esporte escolar, na faixa etária de 11 a 15 anos, os dirigentes da Fesporte decidiram criar outro evento escolar. A partir disso, foi encaminhada a proposta ao Conselho Estadual de Esporte (CED). E numa reunião de muita polêmica, que durou 13 horas, em 12 de dezembro do ano 2000, 18 dos 21 conselheiros do CED enfim aprovaram o projeto de criação da Olesc.

No dia 9 de março de 2001, a Fesporte abriu seu calendário de competições daquele ano com a etapa microrregional da Olesc, no município de em Capão Alto, na região Centro-Oeste, tendo a participação de sete equipes no futsal masculino e três no voleibol feminino. Inauguravam-se assim as competições da Olesc. O programa trazia novidades no quadro de modalidades. Nele se incluíam futsal feminino, natação, tênis, ginástica rítmica e ginástica artística, que se juntariam às modalidades então disputadas nos Jogos Escolares, como atletismo, basquetebol, handebol, tênis de mesa e xadrez.

 

Olesc nasce em 2001, em Criciúma

A partir do dia 7 junho daquele ano, em Mafra, iniciou-se a etapa regional da Olesc, sendo a primeira região a Leste-Norte, com sede em Mafra. Depois vieram as disputas do Centro-Oeste, em Capinzal, dia 8; Oeste, em Mondaí, dia 9, e, por fim, a Sul, em Armazém, dia 14. A etapa estadual da primeira Olesc aconteceria em Criciúma, de 17 a 24 de julho. A edição só não contou com a modalidade de ginástica artística, denominada na época de ginástica olímpica, por não preencher o número mínimo de oito inscritos.

O congresso técnico da etapa estadual aconteceu no dia 4 de julho, no salão nobre da prefeitura de Criciúma. Foi se quando definiu a participação de 65 municípios e 4 mil atletas. Enfim o dia 17 chegara. A competição iniciou, pela manhã, com handebol masculino, além do futsal, tênis e vôlei femininos. E às 19 horas, o aguardado momento: no Ginásio Municipal Irmão Walmir Antônio Orsi, acontecia a cerimônia de abertura da 1ª Olesc, abordando o tema “Urbano e humano jogando no mesmo time”, coreografado com 30 bailarinos da cidade-sede, tudo isso sob os olhares plenos de orgulho dos idealizadores Pedro Bastos, então presidente da Fesporte, e Luiz Carlos Barbosa, o Kalu, diretor de esporte na época.

A primeira medalha de ouro da Olesc foi conquistada por Sidnei Cunha, de Blumenau, nos 3 mil metros masculino (10min5seg43). Entre as mulheres, a primeira medalhista de ouro foi Gisela Cardoso, também de Blumenau, no lançamento de disco (30m35cm). Dos atletas que se destacaram na primeira Olesc estão Luísa Matsuo, da ginástica rítmica de Florianópolis. A atleta foi a primeira a ganhar medalha de ouro como campeã individual geral, com 12.333 pontos. Depois de oito dias de competição, Jaraguá do Sul sagrou-se campeão geral da primeira Olesc com 94 pontos - um a mais que Blumenau, segundo colocado com 93. Joinville terminou em terceiro lugar com 75 pontos.

Criados para cobrir a ausência dos Jogos Escolares, a Olesc se manteve no calendário esportivo da Fesporte, mesmo os Jesc tendo voltado a fazer parte da grade da Fesporte alguns anos depois, e ainda em duas versões etárias: de 12 a 14 e de 15 a 17 anos. É que, apesar de serem eventos escolares, os Jesc se caracterizam como competições interescolares, enquanto a Olesc são selecionados municipais em que os participantes devem comprovar matrícula e frequência escolar.

 

Comunidade esportiva impede cancelamento da Olesc

Em 2015, um cancelamento do evento chegou a ser anunciado, em função de falta de disponibilidade de alojamento, já que o ano foi marcado por greve na educação, e as escolas, que normalmente alojam as delegações, não poderiam perder mais dias letivos. A comunidade esportiva fez pressão e a competição aconteceu em Jaraguá do Sul. A partir de 2013, embora ainda com a sigla Olesc, a Olimpíada Estudantil Catarinense passou a ser oficialmente chamada Jogos Escolares da Juventude, em decorrência da restrição do uso do termo "olimpíada"; porém, em 2016, aconteceu a liberação e o evento passou a utilizar a denominação original.

Atual campeão, Joinville é o município de maior número de títulos da história da Olesc: dez vezes no mais alto lugar do pódio                Foto: Heron Queiroz

Desde a primeira edição, em 2001, somente em 2009, as competições não aconteceram, em decorrência da gripe A. Os joinvilenses foram que mais somaram títulos até aqui, foram 10. Além de Joinville, somente outros três municípios subiram ao lugar mais alto do pódio da Olesc: Blumenau, quatro vezes; Jaraguá do Sul, que teve os dois primeiros títulos da história (2001 e 2002) e Criciúma, também com dois títulos.

Além de Luísa Matsuo, vários outros nomes importantes no esporte brasileiro passaram pela Olesc, como Jéssica Maier, também da ginástica rítmica; Natália Zílio e Rosamaria Montibeller, ambas do vôlei; Bateria, do futsal, Darlan Romani e Ana Cláudia Lemos, do atletismo, entre tantos outros.

Texto: Heron Queiroz/Ascom/Fesporte

A Fesporte calcula um custo aproximado a R$ 6,8 mi para a recuperação de instalações esportivas atingidas pelo ciclone-bomba que atingiu o estado no último dia 30 de junho. O Programa de Inventariação Esportiva desenvolvido pela Fesporte desde 2019 e lançado no início de 2020 contribuiu para que fosse realizado um estudo rápido sobre o impacto causado pelo fenômeno às praças esportivas em todo o estado catarinense.

O estudo apontou que 162 instalações esportivas, em 74 municípios catarinenses, foram afetadas. Dentre elas, 62% são estaduais, 32% municipais e 6% privadas. O total também corresponde a 68% pertencentes a instituições escolares (62% estaduais e 6% municipais), e 32% não pertencem a escolas.

A maioria das instalações afetadas apresentou danos gerais de grande proporção: foram 56%, além de 26% de danos moderados, 16% pequenos e 2% muito pequenos. Dos que contaram com estragos na cobertura, 40% grandes, 39% moderados, 13% pequenos e 3% muito pequenos.

Do total de investimento para a recuperação, R$ 1,8 milhão são instalações pertencentes a escolas estaduais, e R$ 818 mil de escolas municipais. Já os espaços esportivos que não pertencem a escolas, o custo é de R$ 3,7 milhões em patrimônios municipais e R$ 390 mil em propriedades privadas.

Por meio do sistema de inventariação os municípios cadastram as praças esportivas instaladas e suas condições. Com isso, o projeto permitiu que houvesse uma resposta em curto prazo para que se encaminhasse ao Governo do Estado um relatório acerca das ações necessárias e do investimento correspondente. 

O projeto de Inventariação de Instalações Esportivas já cadastrou 140 unidades de todo o estado com necessidades de reparos, conforme disponível na internet (acesse aqui). Todo o mapeamento de espaços esportivos do Projeto de Inventariação permite à Fesporte ter conhecimento da localização de cada praça esportiva, o tipo e as condições, facilitando o trabalho de vistoria para realização de eventos. 

 

Texto: Heron Queiroz/Ascom/Fesporte

Muito se fala na criação dos Jogos Abertos de Santa Catarina, que se inspirou no modelo dos Jogos Abertos do Interior de São Paulo, pela participação dos brusquenses nos últimos anos da década de 1950, até a primeira edição, em 1960, tendo à frente o empresário Arthur Schlösser. O que pouco se tem contado é que os Joguinhos Abertos também tiveram base no modelo paulista para a sua criação. 

O ano era 1986. Felipe Abrahão Neto, conhecido por toda a comunidade esportiva catarinense como Feio, exercia o cargo de coordenador de esporte da Secretaria de Cultura e Esporte. Na ocasião, início do Governo Pedro Ivo Campos, Feio programava uma reunião em Florianópolis envolvendo dirigentes esportivos do estado. Um dos convidados era o Professor Luiz Carlos Barbosa, o Kalu, que informou da impossibilidade de presença já que participaria dos Joguinhos Abertos em São Paulo, o que despertou interesse ao coordenador de esportes e motivou a criação dos Joguinhos Abertos de Santa Catarina. O projeto foi trazido por Kalu, que se tornou braço direito na realização do sonho de Felipe Abrahão Neto.

A ideia despertou o interesse do Feio, que sabia da necessidade de se preencher uma lacuna no desenvolvimento da base esportiva, uma vez que, na época, os Jogos Escolares de Santa Catarina, criados em 1973, não contemplavam todas as idades do esporte de base. Motivado, Feio pediu a Kalu que trouxesse o projeto para Santa Catarina. Kalu não só trouxe o modelo como ajudou no desenvolvimento do projeto de criação dos Joguinhos Abertos de Santa Catarina, que levou dois anos até a primeira edição. 

Foi no dia 24 de novembro de 1988 que se abriu a primeira edição dos Joguinhos Abertos de Santa Catarina, no coração de Santa Catarina, na cidade de Curitibanos, terra que adotou o paranaense Felipe Abrahão Neto. Na ocasião, os Joguinhos já contaram com a participação de 163 municípios brigando pelo primeiro título, que foi conquistado por Concórdia, em 4 de dezembro, dia do encerramento.

Felipe Abrahão Neto (o Feio) recebe flores na abertura oficial da primeira edição dos Joguinhos Abertos, em Curitibanos       Foto: Acervo/Curitibanos

Foram 32 edições desde a criação dos Joguinhos. Somente em 2009, em decorrência da gripe A (H1N1), houve cancelamento. Além de Concórdia, outras quatro cidades conseguiram essa conquista: Chapecó, que conquistou seu primeiro título na última edição (2019 – Rio do Sul); Florianópolis, com dois títulos; Blumenau, com 13 e Joinville, com 14 conquistas. 

Blumenau e Joinville escrevem uma história acirrada na disputa por títulos dos Joguinhos Abertos. Até 2002, os blumenauenses mantinham uma supremacia que parecia dar o mesmo enredo escrito nos Jogos Abertos. De 1990 a 2002, só não foram campeões em 1997 e 2002, quando perderam para Joinville e Florianópolis, respectivamente, ficando com o vice-campeonato. A partir de 2003, Joinville começa a figurar como uma ameaça essa hegemonia da capital do Vale do Itajaí. Era o segundo título dos joinvilenses, depois de 1997, mas o primeiro de uma sequência histórica. De 2003 a 2019, só não ergueram o troféu maior em 2008, 2011 (ambos foram Blumenau) e 2019 (para Chapecó), além de 2009 (cancelado).

E para aumentar a disputa entre o Vale e o Norte, o último título de Joinville empatou as duas cidades em sequência de conquistas: sete para cada uma. Blumenau conquistou títulos seguidos entre 1990 e 1996; e Joinville, entre 2012 e 1018.

Das sedes dos Joguinhos, Criciúma e Caçador foram as que mais receberam a competição: quatro vezes cada uma. A cidade-berço, Curitibanos, sediou três vezes, mesmo número de Joaçaba.

Na ocasião da criação dos Joguinhos, o Professor Kalu destacou como principal importância do projeto, que a ideia era fortalecer a iniciação desportiva, formando atletas em Santa Catarina e diminuindo custos de atletas, além de criar a oportunidade para aumentar a quantidade de atletas e incentivar a profissionalização. E foi o que aconteceu. Tanto é que grandes nomes do esporte brasileiro e internacional, como Gustavo Kuerten (Guga), Fernando Scherer (Xuxa), Tiago Splitter, Carlos Shwanke, Natália Zílio, Rosamaria Montibeller, Sérgio Galdino, Darlan Romani, entre tantos que tiveram os nossos Joguinhos Abertos como importante programa esportivo na estruturação de suas carreiras.

Texto: Heron Queiroz/Ascom/Fesporte

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