Sábado, 13 Julho 2019 19:49

Atletas aprovam 1º Brasileiro de Jiu-Jitsu Paradesportivo Destaque

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 A paraense ‘Carmem Casca Grossa’ foi campeã na classe k A paraense ‘Carmem Casca Grossa’ foi campeã na classe k Foto: Antonio Prado/Fesporte

As mais de 250 lutas ficarão para a história do esporte catarinense, pois o Estado sediou neste sábado, dia 13, em Canasvieira, Florianópolis, o tão aguardado 1º Brasileiro de Jiu-Jitsu Paradesportivo, evento envolvendo 117 atletas com deficiências física, intelectual e visual de todos os estados brasileiros e com a participação de três angolanos e uma argentina. Após as lutas os atletas aprovaram a competição, pois participaram de algo inédito no Brasil.

Durante as lutas, por traz das medalhas e subidas ao pódio, o que se viu foram histórias de superação dos atletas. Histórias como a da paraense Maria do Carmo Paixão Teixeira, 47 anos, conhecida no meio do jiu-jitsu como ‘Carmem Casca Grossa’, que viajou mais de três mil quilômetros de Belém até Santa Catarina para disputar a competição.

Ela tem no currículo 17 títulos brasileiros pela Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ) e sete conquistas mundiais pela Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu Esportivo. “Esse evento é maravilhoso, pois permite que lutemos com atletas com as mesmas deficiências que a nossa. É uma grande oportunidade de inclusão”, disse Carmem.

A atleta vive como amputada da perna direita há sete meses e este evento em Santa Catarina é o primeiro que compete nesta condição. E logo de cara foi campeã ao vencer na final a Mirna Melo, de São Paulo, por 8ª 0 na classe K.

Dione Luiz da Cruz, de Içara, é cego e o filho João Vitor é o seu guia: aprovação ao pódio adaptado da Fesporte (Foto: Antonio Prado/Fesporte)

 A amputação de Carmem ocorreu devido a uma infecção no pé direito. “Em outubro de 2018 acompanhei Círio de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém,  descalça na corda de promessas para pagar uma promessa que fiz para minha mãe que estava com câncer. Uma pedra entrou no meu pé, causou uma infecção e tive que amputar a perna”.

Assim como Carmem os atletas deram show de participação e superação no Hotel Canasvieiras Internacional durante o  1º Brasileiro de Jiu-Jitsu Paradesportivo. Um deles foi Dione Luiz da Cruz, de Içara, cego há cinco anos, após um acidente de trânsito. Ele, que tem como guia o filho, João Vitor, de 13 anos, diz que jiu-jitsu paradesportivo e o atletismo lhe trouxeram de volta a alegria de viver. “Quando fiquei cego entrei em depressão e cai no alcoolismo, já que era jogador de futebol e o esporte era a minha vida. Mas graças a Deus conheci o jiu-jtsu paradesportivo e voltei a sorrir”.

No vídeo atletas testam e aprovam o pódio adaptado da Fesporte

O 1º Brasileiro de Jiu-Jitsu Paradesportivo é uma realização da parceria entre do Governo do Estado de Santa Catarina, por intermédio da Fesporte, @jiujitsuparadesportivonacional com apoio da Federação Brasileira de Jiu-Jitsu Paradesportivo (FBJJP), Prefeitura de Florianópolis e Sumus.

Durante a competição várias autoridades esportivas tiveram presentes, entre as quais, Rui Godinho, presidente da Fesporte e Elcyrlei Luz da Silva, presidente da Federação Brasileira de Jiu-Jitsu Paradesportivo.

Um aspecto bastante elogiado pelos competidores foi a inclusão da medalha com inscrição em braile e o pódio adaptado, que permite que o atleta com deficiência sua ao pódio. As duas medidas foram introduzidas pela Fesporte. 

“Este pódio está aprovadíssimo. Parabenizo quem teve a ideia, pois isso nos dá total independência”, diz o atleta cadeirante Alex Alves, de São Paulo. “Nunca tinha visto um pódio adaptado em nenhuma competição do Brasil e essa medalha com inscrição em braile foi uma iniciativa nota dez, pois mostra respeito aos deficientes”, concluiu o atleta cego Rafael Brito, do Rio de Janeiro.

 Texto: Antonio Prado/Ascom Fesporte

Lido 745 vezes Última modificação em Segunda, 15 Julho 2019 22:15

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